

Pedacinhos do pouco que somos vamos deixando aqui e acolá e pedacinhos dos outros vamos colhendo aqui e acolá também. Sempre que me encontro com as pessoas há uma simbiose de carinhocandura que não sei explicar. De fato, como cantou Caetano: gente é outra alegria bem diferente das estrelas.
Jogar o jogo das emoções com as pessoas, sem dúvida nenhuma, é a maior alegria da minha vida. Quando estou diante das minhas plateias − compostas por crianças, pais, tios, avós e, sobretudo, gente com vontade de voar − sinto-me em paz. Zona de conforto total!
Há 12 anos, juntamente com o meu amigo Salatiel Silva (o Sala) criamos um espetáculo de poesia e música para crianças de todas as idades, no qual quem assiste também é participante. Estou falando do Balaio de Dois.
Costumamos dizer que o Balaio de Dois é um brinquedo falado e cantado, sem artifícios e pirotecnias, banha-se apenas na água diáfana da simplicidade. Em cena, estamos em estado − amplo, total e irrestrito − de Infância. Então mandamos ver poemas, cantigas, trocadilhos, trovas, trava-línguas... As palavras voejam pra bem longe da chatice.
Sem nos darmos conta, nós e a plateia, somos uma coisa só. Todos nós embevecidos por uma minúscula e invisível fração milagrosa: a vida se livra das suas amarras e joga o jogo da leveza.
Isso acontece sempre e aconteceu ontem novamente no Centro Cultural de São Paulo, onde estamos cumprindo uma curtíssima temporada. Caso você ainda não conheça o Balaio de Dois, deixo aqui um convite: nos próximos dias 18, 19, 25 e 26 de julho sempre às 14h30, a gente se apresenta lá e a entrada é franca.
Esperamos você para uma troca de carinhocandura.
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